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TUI DE

O guanche que os canários levam dentro

Covas da ilha como a de Cuatro Puertas.
Objetos da cultura guanche como o ídolo de Tara.
Vista a partir das covas.
Painel informativo sobre as covas.

Jexa Jexa Jexa

Os vestígios dos guanches, primeiros povos indígenas que habitaram as ilhas Canárias, podem ser conferidos nos sítios arqueológicos e também nos nomes dos cidadãos.
Chamam-se guanches os povos indígenas que habitaram as ilhas Canárias antes da conquista espanhola. A linguagem ficou marcada por essas origens, como no caso dos nomes próprios que ainda perduram. Yeremi, Yurena ou Yeray são frequentes em toda a ilha. Mas há muitos mais: Naira, Aday, Adassam, Fayna, Ancor e Ithaisa… Lendo o nome dos habitantes e, consequentemente, o nome de seus bares e cafés, que o viajante percebe as origens da Gran Canária. São a herança de suas raízes que todos os canários levam consigo.

Mas esta marca pode ser percebida para além dos nomes, em cada parada percorrida pelo viajante. Os primeiros habitantes da ilha viveram em covas abertas nas montanhas. O sítio arqueológico de Cuatro Puertas é um conjunto de covas de grande dimensão com quatro orifícios de entrada (daí o seu nome). Acredita-se que o local era usado pelos indígenas para realizar cultos aos deuses. Estes orifícios foram escavados manualmente na rocha vulcânica e eram recobertos, em seu interior, com uma massa formada por cinza e barro. A divisão, ou o que podemos chamar de casa, estava estruturada em vários quartos com portas e contava, também, com calhas para escoamento e limpeza.

O isolamento das ilhas marcou o caráter de seus habitantes e gerou a fixação dos guanches na região. Eles cultivaram sua própria cultura e deixaram como herança uma bela arquitetura e formas pictóricas. Fisicamente, sabemos que os homens tinham uma estatura média de 1,70 metro e, as mulheres, 1,60 metro. Viviam aproximadamente trinta anos.

Outro lugar chave no estudo antropológico dos "primeiros canários" é o Museo Arqueológico Cueva Pintada, situado no centro histórico de Gáldar, no noroeste da Gran Canária. É considerado um dos sítios arqueológicos mais importantes das ilhas. A área em que está localizado, cerca de 5.700 metros quadrados, já foi uma plantação de bananeiras. Por fim, a realização de alguns trabalhos agrícolas em 1863 permitiu descobrir o que é hoje a pedra angular do museu: a denominada "Cueva Pintada". Trata-se de uma gruta, situada cinco metros abaixo da plantação, na qual a pintura permanece quase intacta. Em 1972, aproximadamente um século após seu descobrimento, foi aberta ao público depois de ser declarada Bem de Interesse Cultural.

Contudo, o aumento de visitas provocou a perda de quase 50% da pintura. Muito tempo passou até que se apostou em sua recuperação, o que aconteceu em 1987. O sítio arqueológico foi reaberto ao público em 2006, com acesso limitado para impedir a degradação da pintura e seu desaparecimento.

Sítio arqueológico de alta tecnologia

O Museo Arqueológico Cueva Pintada, em Gáldar, dispõe das mais recentes tecnologias aplicadas à arqueologia. Por exemplo, possui máquinas que são capazes de registrar imagens de alta qualidade do sítio para que seja possível estudar a região por um levantamento tridimensional digital realizado com laser e escâner. Desta forma, os arqueólogos podem estudar quase em tempo real a evolução do nível de conservação da cova. Entre os vestígios que se podem ver no museu, estão vasilhas, utensílios e pinturas.

Para cada ilha, um nome guanche

O viajante normalmente fica surpreso com o nome usado para designar cada ilha. Fuerteventura era conhecida como Erbania ou Maxorata, e seus habitantes eram os maxos. Gran Canária era a ilha de Tamaran. A origem destes nomes está associada aos canarii. El Hierro era Hero ou Lherren e seus primeiros moradores foram os bimbaches. Os habitantes de Lanzarote eram os maxos, e a ilha se chamava Titeroygatra. La Gomera era conhecida como Ghomerah e seus habitantes eram os gomeros. La Palma era Benahoare e Tenerife era Achinet. Os habitantes da primeira foram os auritas e, os da segunda, os guanches.