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TUI DE

Ilha dos artistas

José Saramago no exterior da sua casa
César Manrique em seu ateliê
Escritor Alberto Vázquez-Figueroa
Tenor Alfredo Kraus
Interior da Fundação César Manrique

© Fundación César Manrique Lancelot Medios Lancelot Medios © Fundación César Manrique. Foto: Raúl Mateos

César Manrique transformou toda uma ilha em obra de arte, mas não foi o único a torná-la sua principal fonte de inspiração.
César Manrique (1919-1992) viajou o mundo inteiro para conhecer as tendências artísticas contemporâneas e se deixar impregnar por elas. Não obstante, foi em sua ilha natal onde decidiu estabelecer o núcleo central de suas criações arquitetônicas, pictóricas e plásticas. Lanzarote foi redesenhada pelo seu artista mais célebre como uma autêntica obra de arte. Trabalhou com esmero a luz, a altura e até as cores das suas construções para integrá-las ao máximo ao meio ambiente: o auditório dos Jameos del Agua, o Mirador do Rio, a Casa-Museu do Camponês, a sede de sua fundação ou os Juguetes del Viento em Tahíche.

Esta paisagem bonita, especial e de cores intensas, às vezes semelhante à da lua, atraiu artistas de todo o mundo ao longo de diferentes décadas. A criatividade florescia em Lanzarote em diversos campos culturais. A inspiração vinha com os ventos que sacodem a ilha e aqui ficava sob a forma de novelas, partituras, pinturas e esculturas.

Lanzarote foi o descanso do guerreiro para artistas que reuniram forças e ideias e continuaram seu rumo. Contudo, os que se apaixonaram pela ilha decidiram criar raízes. Um deles foi o escritor português e prêmio Nobel de literatura José Saramago, que, no final dos anos 1990, decidiu morar na ilha, concretamente na cidade de Tías. Saramago sempre foi muito próximo ao pensamento de César Manrique e à fundação que leva seu nome. O autor de “Cadernos de Lanzarote” foi crítico em relação ao lugar que escolheu como casa, mas nunca escondeu o amor que sentia por ele. Aqui, escreveu alguns dos seus melhores livros e viveu com o amor da sua vida, Pilar del Río.

Durante 17 anos, Lanzarote pôde se orgulhar de ser o refúgio de uma das penas mais brilhantes da literatura universal. A casa e a biblioteca privada do autor encontram-se atualmente abertas ao público. Sua presença também era frequente nos encontros literários organizados pela Fundação César Manrique. Uma visita imprescindível para quem gosta de literatura e deseja conhecer o ambiente onde Saramago trabalhava diariamente.

Outro escritor que escolheu Lanzarote para viver foi Alberto Vázquez-Figueroa, natural de Tenerife. Ele se instalou em uma bela casa de Tías nos anos 1970. Porém, a paixão pelo local surgiu anos antes, quando visitou Lanzarote e conheceu César Manrique, que ainda não tinha começado sua obra. Já naquele momento, achou que não havia lugar mais tranquilo e bonito para viver. De fato, morou na ilha até que seus amigos Manrique, Saramago e Alfredo Kraus (tenor) faleceram, mudando-se depois para Madri. O prolífico autor não esconde que sente saudades dessa Lanzarote paradisíaca e cheia de glamour daqueles tempos, na qual podia passear sem que o reconhecessem. Era o lugar perfeito para um artista que precisava de intimidade para criar.

A voz de Kraus

O tenor Alfredo Kraus, nascido em Tenerife, era um grande apaixonado por Lanzarote. Entre o fim da década de 1960 e o começo dos anos 1970, o músico escolheu o lugar para veranear. Primeiro, foi Playa Blanca; depois, o hotel Fariones de Puerto del Carmen. Finalmente, construiu uma casa na zona de Barranco del Quiquere. Em diversas ocasiões, seus amigos e conhecidos assinalaram que Kraus sempre se referia à ilha com elogios, sobretudo pela tranquilidade que sentia cada vez que chegava a Lanzarote depois de viajar meio mundo.

Casas dos gênios

Tanto a casa como o ateliê de César Manrique são fáceis de visitar. O primeiro fica na cidade de Haría. O segundo é a Fundação César Manrique, lugar onde levou a cabo parte de sua obra e que é indispensável para conhecer toda sua produção artística. O mesmo acontece com A Casa de José Saramago, local que o escritor dividiu com sua mulher, Pilar del Río. Agora, funciona como museu e sede da sua fundação no município de Tías, sendo possível visitá-la. Ambos os lugares são duas visitas obrigatórias para quem gosta de passeios culturais.