0800 940 8840
Horário de atendimento:
24 horas
TUI DE

Uma tradição com 700 anos

Lugar da cerimônia da entrega das chaves de Londres
Guarda da cerimônia da entrega das chaves de Londres

©VisitBritain/ Historic Royal Palaces

A cerimônia da entrega das chaves transformou-se, sem divulgação, em uma atração turística. Silêncio, solenidade e respeito pelos rituais definem o momento.
Uma Londres silenciosa, solene, tradicional e majestosa vem à tona todas as noites em contraste com sua faceta mais diurna, agitada e turística. A Torre de Londres tem sido o cenário desta cerimônia por mais de 700 anos, cujo objetivo principal é fechar e proteger, durante a noite, o edifício que guarda as joias reais.

Ao longo dos séculos em que se tem seguido à risca esta tradição, o ato só foi interrompido durante a Segunda Guerra Mundial, quando uma bomba caiu no recinto da Torre justo no momento em que a cerimônia era realizada. A magnitude da solenidade deste ritual diário pode inclusive ser apreciada melhor quando sabemos que existe uma carta antiga, do chefe da guarda para o rei Jorge VII, com desculpas pelo atraso que aquele incidente havia provocado na entrega das chaves. A resposta do rei foi um pedido para não castigar a guarda, já que o causador de tal problema havia sido o inimigo.

Todos os dias, às 21h53, com a pontualidade britânica, começa a cerimônia. Uns minutos antes, às 21h30, um grupo de não mais do que 30 pessoas é escoltado desde a porta oeste da Torre até o seu interior. Os assistentes colocam-se ao lado da célebre Traitors' Gate ou Porta dos Traidores e permanecem completamente em silêncio. Nesse momento, o chefe da guarda, vestido com o uniforme da época Tudor (um casaco vermelho com um gorro tradicional) e segurando uma vela, fecha a porta principal. No seu regresso ao interior do edifício por Water Lane e acompanhado por membros da guarda da Torre, é detido por um sentinela, que o obriga a identificar-se e a representar o momento-chave da cerimônia:

Sentinela: “Who comes there?” (Quem vem lá?)
Chefe da guarda: “The keys”. (As chaves.)
Sentinela: “Whose keys?” (Que chaves?)
Chefe da guarda: “Queen Elizabeth’s keys”. (As chaves da rainha Elizabeth.)
Sentinela: “Pass Queen Elizabeth’s Keys. All's well”. (Dar passo às chaves da Rainha Elizabeth. Está tudo bem.)

Continuando, e já no interior da Torre, é feita a saudação "Deus salve a Rainha". Quando o guarda permite a passagem, uma dezena de escoltas acompanham o portador das chaves até a Queen's House, onde as chaves são guardadas em um lugar seguro.

Só 35 minutos após o início, o reduzido público que teve o privilégio de entrar é acompanhado à saída e devolvido, de novo, ao presente, depois da sua visita ao passado. Então chega o momento de a Torre de Londres fechar suas portas de forma segura.

Apesar de a rainha já não viver nesta fortificação e ser evidente que as medidas de segurança, para proteger as joias britânicas, evoluíram nestes 700 anos, o ritual continua impressionando pela espetacularidade e encenação, preservadas ao longo de tanto tempo. Todas as noites, um membro da guarda faz seu trabalho na guarita ao lado da porta, como símbolo de uma custódia que se deve manter apesar da passagem dos anos.

Sem fotografias nem preço

A entrada para este espetáculo é gratuita, embora seja recomendável doar algumas libras quando chega ao fim. É proibido tirar fotografias ou gravar a cerimônia. Há até pouco tempo, a única forma de conseguir entrar era enviando uma carta, um envelope vazio e um selo, com seu endereço, para que a organização pudesse respondê-lo com as entradas. Hoje o processo modernizou-se e já é possível reservar pela internet, sendo indicado fazer a reserva com dois ou três meses de antecedência.

O 'beefeater'

O encarregado de representar a cerimônia e entregar as chaves é o guarda da Torre ou 'Chief Yeoman Warder', um dos famosos 'beefeaters'. Ele sai da Torre Byward com as chaves em uma mão e um candeeiro na outra. A sua vestimenta peculiar, com adornos vermelhos e gorro enorme, remonta ao final do século XV. Há até poucos anos, não era permitida a participação de nenhuma mulher neste corpo da guarda, ao qual a igualdade demorou séculos para chegar.