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Hutongs, a alma de Pequim

Rua comercial de uma hutong em Pequim
Pátio típico nas hutongs, a alma de Pequim
Charrete
Hutong em Pequim
Banca de comida numa hutong de Pequim

Testemunhas da história chinesa, estas ruelas são autênticos museus da cultura tradicional frente ao desenfreado desenvolvimento urbanístico da cidade.
Imensa, caótica, extenuante. Uma grande cidade como Pequim pode chegar a assustar o viajante. O desenvolvimento econômico que o país experimentou nos últimos anos transformou por completo a cidade. Grandes construções de design tomaram as ruas e redesenharam seu skyline. O Galaxy SOHO de Zaha Hadid ou o edifício CCTV são apenas alguns exemplos. Mas, além de suas grandes avenidas, dos arranha-céus e das estradas de incontáveis faixas, a capital da China continua escondendo recantos com sabor tradicional. Falamos das hutongs, ruelas presentes em várias áreas do interior do segundo anel que parecem não terem evoluído nos últimos séculos. De fato, hutong significa "rua estreita". Estas regiões, comuns em muitas cidades chinesas, foram construídas durante as dinastias Yuan, Ming e Qing. Embora não se conservem tantas como as que então existiam, Pequim conta atualmente com cerca de mil hutongs. Muitas foram derrubadas e seus habitantes transferidos para bairros mais modernos.

O amontoado presente nas hutongs começou a ser um problema em meados do século XX, quando várias famílias ocupavam uma única casa, sendo que a maioria delas não tinha nem banheiro. Boa parte destes bairros de ruelas foi demolida nos trabalhos de ordenamento urbano depois da concessão das Olimpíadas de 2008. No entanto, alguns, como o de Nanluoguxiang, foram renovados para essa ocasião e hoje se converteram nos pontos turísticos favoritos na cidade.

As hutong que estão em boas condições são lugares interessantes para os viajantes que querem conhecer a antiga essência de Pequim. Um destes bairros tradicionais fica em Shichahai. Foi construído durante o período da dinastia Yuan (1271-1368) e, apesar dos seus quase oito séculos de vida, mantém várias dezenas de edifícios em bom estado de conservação. Além de residências, nestes bairros de hutongs há muitos restaurantes, cafés, karaokês e estabelecimentos noturnos. Algumas foram transformados em pequenas hospedarias onde é possível passar a noite.

As construções típicas das dinastias seguintes (Ming e Qing) foram edificadas junto à Cidade Proibida. De fato, quanto mais próximo estivessem do centro, mais prestígio tinham. Ou seja, era possível diferenciar os habitantes que eram de elevado nível social. Viviam em casas chamadas siheyuan, construídas ao redor de um pátio central que servia de ponto de iluminação e ventilação. Como nem todas tinham o mesmo tamanho ou a mesma distribuição, as ruas que se comunicavam entre si foram convertendo as hutongs em autênticos labirintos de passagens estreitas.

Passeando de charrete por Quianmen

Na região de Quianmen, sobrevivem várias ruelas antigas em bom estado. Muitas foram transformadas em áreas comerciais e de entretenimento. Bem diferenciadas, as da zona norte costumam ser mais amplas e organizadas, enquanto as do sul são bastante mais caóticas. Quais visitar? As mais famosas são as de Jiuwan e Sanmiao. A estreiteza leva os habitantes locais a passar por elas a pé ou de bicicleta, enquanto muitas visitas turísticas são feitas em pequenas charretes puxadas por ciclistas. Também é possível encontrá-las na região do lago Qianhai.

Uma noite em uma hutong

O perfil mais comercial e aberto destas regiões pode ser visto em pequenos alojamentos que prometem oferecer ao visitante uma experiência tradicional, afastada das grandes redes hoteleiras. Eles vão desde pequenas casas de hóspedes até albergues e hostels. As opções para dormir em uma hutong são múltiplas e variadas. A maioria não tem mais de quatro ou cinco quartos e seus pátios interiores são aproveitados com mesas ao ar livre para refeições.