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TUI DE

A cidade que é um filme

Boca da verdade
Cinecittá
Cenário de filmagem
Fontana di Trevi
Placa do cineasta Federico Fellini

A relação entre Roma e o cinema é uma história de amor. As câmeras conseguiram retratar a face mais fotogênica de uma cidade avassaladoramente bela.
Roma sempre teve uma relação especial com o cinema. Os episódios mais conhecidos dessa história de amor encontram-se na filmografia de Federico Fellini, especialmente no "A Doce Vida", na cena de Anita Ekberg na Fontana de Trevi; e no romance impossível de "A Princesa e o Plebeu", cujo passeio de Vespa de Gregory Peck e Audrey Hepburn é uma das cenas mais conhecidas. E esse romance dura até os dias de hoje. Um dos títulos mais aclamados nos últimos anos tem Roma não como cenário, mas como assunto principal. Trata-se do filme "A Grande Beleza", de Paolo Sorrentino. O poder e o alcance do cinema também afetam as tradições dos visitantes, mesmo em uma cidade tão eterna como Roma. É o caso da Boca da Verdade, que, depois de aparecer em "A Princesa e o Plebeu", passou de simples curiosidade em uma cidade repleta de atrações a uma das visitas imprescindíveis, provocando enormes filas. Algo semelhante ocorreu com os romances de Dan Brown, que não só atraíram ainda mais olhares para a obra de Leonardo da Vinci, como também suscitaram a chegada ao Vaticano de visitantes com interesses menos religiosos, à procura dos cenários dos crimes de "Anjos e Demônios".

Em relação aos estúdios de cinema, há dois grandes espaços para visitar. O nome de um deles é pouco conhecido, embora, ao vê-lo, possamos ter uma ideia dos edifícios. Trata-se do bairro de residências públicas La Garbatella, fundado em 1920. Seu aspecto reproduz o modelo inglês da cidade-jardim: edifícios com pátios circulares, jardins e espaços verdes comuns. Uma cidade dentro da cidade. A sua relação com o audiovisual inclui numerosas séries de televisão e filmes italianos. Um jovem Alberto Sordi protagonizou ali, em 1951, "Mamma mia, che impresione!". Também Luciano Emmer filmou, no bairro, em 1952, "Le ragazze di piazza di Spagna", com a jovem Lucia Bosé como protagonista. E Nanni Moretti filmou "Caro Diário", em 1993, entre as casas do lugar.

O outro espaço é a Cinecittà. Os cenários dos estúdios clássicos deste local de filmagens, aberto ao público, oferecem também uma viagem emocionante. Por exemplo, pode-se visitar a decoração e os cenários concebidos para cenas da coprodução entre a BBC e a HBO "Roma", rodada parcialmente ali com um grande orçamento e reconstruções impressionantes da Roma Imperial. Na seção Fábrica do Cinema, estão os espaços ao ar livre e o figurino de filmes famosos, tanto italianos quanto estrangeiros. Cinecittà foi também o palco de filmes que explicam Roma e seus mistérios, como "Agonia e Êxtase", que narra o processo de pintura dos afrescos da Capela Sistina, por Michelangelo. Mais recentemente, foi palco da filmagem de "Gangues de Nova York", "O Paciente Inglês" e "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson.

Roma em sua essência

Roma é a civilização extinta mais filmada do cinema. E qual o melhor local para rodar esses filmes senão onde tudo aconteceu? O primeiro filme foi uma versão de "Cleópatra", em 1912. Nos anos cinquenta e sessenta, rodou-se, em Roma, uma grande quantidade de filmes sobre esse tema. Surgiu até um gênero, o 'peplum', representado por orçamentos reduzidos, figurinos escassos e grandes doses de papelão. Enfraquecido nas décadas seguintes, as gravações ressurgiram com "Gladiador", de Ridley Scott, em fins do século XX. Dos filmes rodados ali, destacam-se "Cleópatra", de 1963, com Elizabeth Taylor, e "Ben-Hur", de 1959, com Charlton Heston.

A capital do neorrealismo

O cinema não hesitou em mostrar a face mais dura e amarga de Roma, mas nunca o fez tanto como com diretores neorrealistas, como Vittorio de Sica em "Ladrão de Bicicletas", Rossellini em "Roma, Cidade Aberta", ou Ettore Scola com "Um Dia Muito Especial". A chave do neorrealismo era precisamente o naturalismo com que se mostravam as condições sociais e os sentimentos dos protagonistas. Com esse objetivo em mente, rejeitavam-se os cenários artificiais em favor dos reais, o que nos deixou um retrato eterno da cidade tal qual era há pouco mais de um século.