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Cidade pela qual o cinema se apaixonou

Festival de Veneza
 Grand Canal, famoso por ter aparecido em “Casino Royale”

nicogenin on Visual Hunt / CC BY-SA

Tanto pela magia de suas ruas, que têm atraído inúmeras produções cinematográficas, como pelo prestígio dos Leões de Ouro, Veneza está intimamente ligada à sétima arte.
Quando um turista põe os pés nas ruas de Veneza, é inevitável que relembre cenas de filmes famosos ou, por outro lado, que imagine o que poderia ser filmado ali. Seus canais convidam a pensar em perseguições de barcos, seus becos labirínticos são cenários perfeitos para cenas de ação e suas pontes ou gôndolas se encaixam perfeitamente em filmes de amor.

A partir de 1895, na época dos primeiros passos do cinematógrafo, novos cineastas desembarcaram na cidade para usar os “sestieri” (bairros) venezianos como cenários de suas gravações. Em 1896, Alexandre Promio, operador de câmera dos irmãos Lumière, foi enviado à capital da região do Vêneto para gravar o que seria o primeiro “travelling” da história do cinema: a partir de uma gôndola, filmou a vida e os palácios ao longo do Grand Canal por pouco mais de um minuto.

A maior presença da sétima arte na cidade dos canais ocorreu em 1932, ano em que começou o Festival Internacional de Cinema de Veneza. Este evento foi impulsionado pelas mais altas esferas italianas sob a direção de Luciano De Feo. E o que agora é um evento elegante e internacional, naquele ano foi apenas uma projeção de vários filmes na cobertura do hotel Excelsior da zona do Lido. O primeiro foi "O Médico e o Monstro", de Rouben Mamoulian. E logo vieram outros longas como “Aconteceu Naquela Noite”, de Frank Capra, “O Campeão”, de King Vidor, e "Frankenstein", de James Whale. A primeira edição não tinha caráter competitivo: isso só passou a existir a partir da segunda. Dado que não havia prêmios, foi o público que decidiu, por meio de votação, que "O Caminho da Vida", de Nikolai Ekk, era o melhor filme; e que "Viva a Liberdade”, de René Clair, era o mais divertido.

Desde a segunda edição, em 1934, o festival ganhou força e teve grande repercussão mundial. Em 1935, tornou-se anual. E os anos seguintes foram difíceis para o evento pela devastação causada pela Segunda Guerra Mundial. No entanto, em 1946, o Festival de Veneza foi celebrado no “Palazzo del Cinema” e, desde então, o Leão de Ouro (prêmio para os melhores filmes) e a Copa Volpi (prêmio para os melhores atores e atrizes) são entregues nesse espaço.

Além disso, Veneza tem aparecido em diversos filmes, de variados gêneros e épocas. Na década de 1950, destacaram-se obras como "Uma Noite em Veneza", de Georg Wildhagen, ou “Quando o Coração Floresce", em que as estrelas Katharine Hepburn e Rossano Brazzi roubam as atenções dos fãs nas telonas.

Muito mais atuais são as produções “venezianas” que acolheram dois mitos do cinema moderno: James Bond e Indiana Jones. O agente 007 do momento, o ator Daniel Craig, correu, pulou, disparou e amou nos arredores do Grand Canal em “007 - Cassino Royale”. Em "Indiana Jones e a Última Cruzada", de Steven Spielberg, a igreja de San Barnaba foi transformada em biblioteca para o protagonista. Também o diretor Woody Allen, apaixonado por filmar nas ruas, sucumbiu aos encantos de Veneza em “Todos Dizem Eu Te Amo”.

Do mesmo modo que as câmeras fotográficas continuam encantadas com Veneza, o mundo do cinema continuará apaixonado por esta cidade cuja beleza, história e magia cativam qualquer cineasta.

Marco Polo e Casanova em ação

Dois personagens venezianos ilustres, o explorador Marco Polo e o escritor Giacomo Casanova também viram as suas vidas serem narradas para o grande público. O primeiro, interpretado por Kenneth Marshall, foi protagonista de uma série de televisão filmada em 1982 em Malamocco (zona do Lido). Já em 2014, foi o personagem de um drama mais focado em suas batalhas no Império Mongol. Casanova, por sua vez, chegou às telonas com Federico Fellini, que adaptou a autobiografia do aventureiro do século XVIII no ano de 1976. O papel acabou sendo assumido por Donald Sutherland. Décadas mais tarde, Casanova foi interpretado pelo falecido Heath Ledger em uma nova versão sobre o galã veneziano.

Cenário de romances e peças de teatro

Não só a sétima arte tem um apreço especial por Veneza. A literatura também tem situado suas obras na capital da região do Vêneto em diversas ocasiões: de William Shakespeare e seu "O Mercador de Veneza", que data do século XVI, à contemporânea Donna Leon, cujo comissário Guido Brunetti luta contra o crime em romances de sabor tão veneziano como "Morte no Teatro La Fenice”. Thomas Mann situou seu livro "Morte em Veneza" em um luxuoso hotel do lugar e a obra foi posteriormente levada para o cinema pelo diretor italiano Luchino Visconti.