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Esquinas lendárias

Ca' Dario, o palácio maldito
Ponte do Diabo na ilha de Torcello
Riva degli Schiavoni: segundo a lenda, foi aqui que São Marcos se dirigiu ao pescador

O emaranhado de ruas e canais de Veneza transformou a cidade no cenário perfeito para a proliferação de inúmeros mitos e lendas.
Tem algo de mitológico uma cidade que emerge das águas e se transforma em uma das maiores potências socioeconômicas da história. Nela, uma série de lendas foi ganhando espaço ao longo dos séculos: histórias que envolvem de santos do cristianismo a enigmáticas pontes e são alimentadas principalmente pelos gondoleiros de Veneza.

O padroeiro do município, São Marcos, é o protagonista de uma delas. Diz a lenda que, em uma tarde normal e corrente, um pescador estava em Riva degli Schiavoni quando um senhor já idoso lhe pediu que o levasse de barco até a ilha San Giorgio. Mesmo que o pedido fosse perigoso, pois estavam em meio a um forte temporal, o pescador aceitou o pedido. Ao chegar lá, um jovem guerreiro entrou no barco e pediu que fossem até San Nicolò no Lido. Já no destino, um terceiro passageiro subiu a bordo. O trajeto de volta não foi fácil porque o vento e as ondas sacudiam o barco com violência.

Foi então que apareceu um enorme navio negro comandado por demônios de todos os tipos que procuravam destruir Veneza. Os três passageiros - que afinal resultaram ser São Marcos, São Jorge e São Nicolau - ergueram-se e venceram os seres do mal fazendo o sinal da cruz no ar. Em seguida, São Marcos dirigiu-se ao pescador e pediu-lhe que contasse tudo ao doge, maior autoridade veneziana na época, e que lhe mostrasse o anel que lhe estava dando caso o representante não acreditasse nele. Mais tarde, o pescador foi recompensado com uma pensão vitalícia e a permissão para vender as terras da ilha de San Erasmo, o jardim de Veneza.

No entanto, nem todas as lendas locais estão relacionadas com o triunfo do bem sobre o mal. Às vezes, acontece o contrário. O palácio Ca' Dario, por exemplo, enfrenta a má sorte desde sua construção: todos os seus proprietários acabaram indo à falência ou enfrentando mortes violentas. Isso fez com que o edifício ganhasse uma reputação sinistra entre os moradores, que passaram a rejeitá-lo como residência e a chamá-lo de "casa que mata".

Existem mais casas venezianas em situações semelhantes. Uma delas está no antigo gueto judeu e tem seu próprio fantasma: um velho rabino do século XVI que apareceu em meados da década de 1950. Anos depois, a mesma figura foi vista junto ao púlpito da sinagoga do bairro: o local ficou coberto de pó, exceto a posição exata onde dizem que fez sua aparição.

Apesar das enraizadas crenças católicas dos venezianos, o diabo também tem espaço garantido no mundo das lendas locais. Satanás tem sua própria ponte (Ponte del Diavolo) na ilha de Torcello: uma construção sem grades onde dizem que aparece sob a forma de um gato preto quando o relógio marca meia-noite no dia 24 de dezembro. A explicação mais lógica é que a ponte se chama assim por causa das maldições que os venezianos lançam cada vez que tropeçam nas íngremes e perigosas escadas da ponte, onde a probalidade de cair é bastante alta.

Denúncias na “Boca de Leão”

A “Boca de Leão” era um tipo de caixa de correio existente em toda a cidade, incluindo o próprio Palácio Ducal, e servia para receber denúncias anônimas durante a época do Conselho dos Dez. Embora essa instituição contasse com a participação do doge, operava em segredo e era responsável por garantir a paz em Veneza, assim como combater a espionagem e evitar possíveis distúrbios. Suas investigações se baseavam nas denúncias e alegações deixadas nas bocas de leão, que ganharam má reputação por causa das punições a que levavam.

Mitos e realidades dos gondoleiros

Diz uma lenda local que os gondoleiros nascem com pés espalmados para poder se movimentar melhor pela água. Se esta lenda parece incrível, experimente observar a forma como esses profissionais caminham em terra firme. Dada a posição que mantêm durante o trabalho, com a perna direita posicionada de um modo antinatural, a maioria dos gondoleiros mais experimentados tem uma forma curiosa de caminhar e que ajuda a identificar os mais veteranos.